Rota da Cultura Avieira apresentada em Salvaterra de Magos (Com Fotos e Vídeo)

Rota da Cultura Avieira apresentada em Salvaterra de Magos (Com Fotos e Vídeo)

19 de Junho, 2020 Não Por João Dinis

A Aldeia do Escaroupim, no concelho de Salvaterra de Magos, recebeu na manhã desta sexta-feira, 19 de Junho, o lançamento da Rota da Cultura Avieira, que atravessa os territórios banhados pelos rios Tejo e Sado, em concelhos tão distintos como a Golegã, Rio Maior, Santarém, Cartaxo, Azambuja, Salvaterra de Magos, Benavente, Coruche, Mora, Vendas Novas, Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e  Sines.

Implementada no âmbito das “Rotas do Touring Cultural do Alentejo e Ribatejo”, a Rota da Cultura Avieira, tem planos para três e sete dias de visitas aos territórios do Ribatejo e Alentejo, que têm como ligação a Cultura Avieira, um património eternizado e documentado no livro do escritor português Alves Redol, que se intensificou sobretudo na década de 50, do século XX.

A Cultura Avieira teve os seus primórdios com a grande migração interna de populações em busca de melhores condições de vida e de um lugar mais estável para as suas atividades de sustento. Oriundos de zonas piscatórias marítimas e fluviais, principalmente de Vieira de Leiria, os avieiros deslocaram-se essencialmente para as margens dos rios Tejo e Sado”, refere a Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo, que acrescenta que “com o tempo, as deslocações passaram de sazonais e transformaram-se em assentamentos definitivos”, criando verdadeiras aldeias como a do Escaroupim, que ainda hoje se mantém com traços e características da época, uma vez que estes trouxeram modos de vida e convivência, técnicas e hábitos que decorrem de uma vida de aprendizado e prática na sua origem.

O Presidente da Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo, Ceia da Silva, começou por divulgar que já se encontram no ar “os novos sites do Visit Alentejo e Visit Ribatejo”, que são plataformas modernas, que divulgam as regiões, e que estão constantemente em actualização sendo acrescentados novos dados e elementos do Alentejo e Ribatejo, “instrumentos de comunicação importantes.

Sobre a rota apresentada, Ceia da Silva considera que “a Cultura Avieira é um aspecto que para nós era muito importante, é um dos factores identitários mais fortes da Lezíria, desta zona, que durante décadas trouxe tradições, costumes, uma identidade muito própria a estas comunidades, a estas aldeias”, sendo que um dos objectivos da entidade do Turimo “é que possa haver aqui também uma intervenção quando se perceber que as rotas, que são dirigidas para o “bee to be” ou para o “be to see”, ou seja, duas rotas de três dias e uma rota de sete dias, que pode ser feita pelo operador turístico a trazer grupo, ainda que agora condicionado, mas trazer grupos, ou o próprio consumidor por si, porque vai ao nosso site, aos canais de informação, porque obtém os folhetos nos postos e turismo e vai fazer ele próprio com a sua família esta rota, que junta de facto as aldeias Avieiras, também com o Sado, o cais Palafítico da Carregeira e também por exemplo as salinas de Rio Maior ou o património”, isto porque “as rotas não apenas e exclusivamente da Cultura Avieira, têm que ser rotas mais completas e aquilo que nós queremos é que de facto haja essa intervenção que se perceba que é necessário intervier, haver apoios comunitários para requalificar algumas das aldeias, que infelizmente não estão como está o Escaroupim, e que possamos ter aqui um produto muito forte, identitário, que seja atractivo para o território, quando nós queremos produto, como costumo dizer, a seguir ao produto vem o turista, e a seguir ao turista vem o investidor, porque se há turistas, vale a pena fazer hotéis, turismos ruais, alojamentos locais…”

Também o Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio se demonstrou bastante entusiasmado com mais este produto turístico do seu concelho, referindo que “nós temos apostado fortemente, como é publico, na componente turística como factor de desenvolvimento económico do concelho, portanto o turismo tem sido uma aposta do município, naturalmente que a par de outras”, referindo que em termos turísticos existem “várias portas de entrada no nosso concelho, começamos por enfatizar, porque foi um processo que iniciamos com a Universidade de Évora e com a Associação Portuguesa de Falcoaria, com a Falcoaria Real e a liderança do projecto que permitiu que Portugal visse a sua falcoaria como Património Imaterial da Humanidade”, “mas não podíamos ter só uma porta de entrada, até porque temos a possibilidade e a felicidade de estar marginados pelo rio Tejo, é uma das fronteiras do concelho, belíssimas paisagens, numa zona onde há mochões e há tantas aves, portanto o Escaroupim passou a ser de imediato uma aposta em simultâneo na divulgação do concelho e daí nasceu a necessidade de termos que reconstruir o que estava em mau estado, a casa tradicional Avieira”, sendo que simultamentamente se começou a desenvolver o projecto de ampliação e de requalificação da Escola Primária, “para podermos ter aqui um dos pilares do que já se falava na altura, de uma rota da Cultura Avieira, que seria criada pela Entidade de Turismo, e era importante que o Escaroupim, porque tem casas conservadas, porque tem um Museu, tem a Casa Tradicional Avieira, tem pessoas, acima de tudo, tem uma comunidade que viveu essa experiência e ainda vive de alguma forma, a experiência da cultura avieira”, factos que tornam o Escoroupim como um dos pontos altos da rota, ainda que além do Tejo esta inclua também o rio Sado.

O caminho feito pela Escaroupim conta com o apoio de entidades privadas, que  Hélder Esménio refere que, “nos ajudam, e de quem maneira, a promover também este espaço, pela qualidade da restauração e dos passeios de barco que oferecem no rio Tejo.”

O potencial do Escaroupim é transversal em diversas áreas do turismo, dos passeios e observações no rio, a gastronomia, a cultura e a tradição e a história, factos que o Presidente do Municipio de Salvaterra confirma, “é um pouco isso sim”, referindo que foi sempre objectivo do município, “criar vários produtos turísticos, para que depois as entidades privadas possam de alguma forma promover, divulgar, e ajudar a desenvolver.”

No entendimento de Hélder Esménio, “os dinheiros públicos deve servir para criar algum produto que ajude depois os operadores privados a desenvolverem e o Escaroupim reúne todos esses predicados, além de ainda ser o ponto de partida para um passeio pedestre até à mata nacional do Escaroupim, que foi um percurso criado também pela entidade de Turismo, em colaboração com a Câmara Municipal e que faz a ligação à mata, onde temos um parque de campismo e caravanisto, que pode ajudar, a fixar população”, “temos aqui a possibilidade de ter algum alojamento de apoio a quem nos visite aqui no Escaroupim”, concluiu.