‘Temos que olhar possivelmente para a luta química e para a luta biológica, temos que combater com as armas todas uma praga como esta…’, realça José Núncio da Associação de Regantes do Vale do Sorraia sobre a praga dos jacintos de água

‘Temos que olhar possivelmente para a luta química e para a luta biológica, temos que combater com as armas todas uma praga como esta…’, realça José Núncio da Associação de Regantes do Vale do Sorraia sobre a praga dos jacintos de água

28 de Agosto, 2019 Não Por João Dinis

Os agricultores do Vale do Sorraia são uns dos principais beneficiários da água do rio Sorraia, e nos últimos meses a preocupação destes com a praga de jacintos de água que se tem manifestado nos troços do rio, tem levado a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia a um trabalho longo e moroso, na remoção de grande parte dos jacintos de água existentes no leito do Sorraia.

De acordo com José Núncio, Presidente da associação, à direita na foto, ‘este é um trabalho que não acaba, e julgo que as máquinas vão ficar aqui a fazer este serviço até que o tempo pelo menos se altere e comece a fazer frio e que diminua a capacidade de reprodução destes jacintos…’, num trabalho que permita a desobstrução do rio, que além de permitir a maior fluidez do curso de água, permita também o controle dos acumulados de jacintos, que poderiam ser também perigosos para as pontes sobre o rio Sorraia, este é um trabalho que visa, ‘permitir a desobstrução do rio, porque corremos aqui dois riscos, primeiro, por baixo deste manto nada se desenvolve, porque o jacinto ocupa cem por centro da superfície e não há luz por baixo e o segundo é que temos esperanças que vá chover este inverno, e quando chover esta massa toda verde vai obstruir a boa capacidade de vazão do rio, vai dificultar as correntes… temos os problemas das pontes que podem ficar obstruídas e consecutivamente serem levadas por esta massa que se acumula ali e esta é uma acção que tem sempre que ser feita e nesta altura é uma altura em que o rio tem pouca água e nós conseguimos ter acesso com as máquinas, que é o caso que temos aqui, a máquina a fazer este trabalho extraordinário que vimos, e tira grande parte, mas não consegue tirar a cem por centro, há sempre uns restos que ficam por baixo das árvores, outros ficam mais à frente e a máquina acaba por não conseguir limpar tudo…

Nas condições actuais do rio Sorraia, e com a praga de jacintos num nível elevado, este é um trabalho infinito, ‘porque tem um impacto muito momentâneo, podemos ir a troços do rio onde já foi limpo à cerca de mês e meio e hoje passamos lá e parece que nem sequer foram limpas, portanto é um trabalho que habitualmente realizamos em Setembro, é a partir desta altura, porque fazê-lo antes não ganharíamos muito com isso… é a partir de agora que tem um maior efeito… porque é natural que o tempo depois vá refrescar e que baixe a velocidade de produção…’, salienta José Núncio.

Para José Núncio, a solução poderá passar pela luta química e biológica, num momento em que este considera que se chegou a uma situação limite, ‘eu acho que quando chegamos a situações tão limites como esta, julgo que também temos que ir para outro tipo de soluções, acho que temos que combinar as soluções que estão disponíveis, não são só os meios mecânicos, grande parte assentar nos meios mecânicos, mas temos que olhar possivelmente para a luta química e para a luta biológica, temos que combater com as armas todas uma praga como esta, tem que ser combatida com todas os meios que tivermos ao nosso dispor…’, concluiu, deixando assim aberta a porta para que se possam utilizar os meios químicos disponíveis para a erradicação da espécie que nos últimos anos tem assolado o rio Sorraia.