Bombeiro de Coruche denuncia falha logística no fogo de Mação e mensagem torna-se viral

Bombeiro de Coruche denuncia falha logística no fogo de Mação e mensagem torna-se viral

22 Julho 2019, 16:49 Não Por João Dinis

O bombeiro Fábio Manuel Pelica, do corpo dos Bombeiros Municipais de Coruche, colocou uma fotografia e uma publicação na sua página pessoal da rede social Facebook, que nunca pensou que tivesse a repercussão que teve, ‘nunca imaginei que o meu post anterior tivesse tanta partilha e tanto comentário’, salienta o operacional na sua página.

‘Desde já quero agradecer a todos os comentários de apoio, de carinho e de agradecimento para com os Bombeiros!’, escreveu Fábio Pelica após a sua luta contra as chamas, deixando ainda uma mensagem aos companheiros que estão e vão para o combate ao incêndio, ‘desejo boa sorte a todos os camaradas das mais variadas forças que ainda lutam contra o ‘monstro’.’

Esta publicação, que pode ser encarada como um grito de revolta, ou uma chamada de atenção, demonstra também o falhanço, um ano mais, do plano de combate a incêndios, sobretudo no plano logístico, havendo homens e mulheres a trabalhar mais de 10 horas e sem comer…

Da mobilização até ao descanso…

Os Bombeiros Municipais de Coruche, foram mobilizados pela Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, para integrar um dos dois Grupos de Reforço para Incêndios Florestais (GRIF) que foram auxiliar no combate ao incêndio, que inicialmente começou em Vila de Rei, progredindo depois para Mação.

O alerta chegou ao quartel de Coruche ao final da tarde de sábado, 20 de Julho, tendo o GRIF chegado ao local, por volta das 23 horas, iniciando de imediato a luta contra as chamas, num período que se estimada terminasse por volta das 7 horas da manhã.

Período prolongou-se e durou mais de 12 horas…

De acordo com o Comandante dos Bombeiros Municipais de Coruche, Luís Fonseca, ‘dadas as condições do incêndio e as proporções que tomou, o período inicialmente estimado para a permanência dos bombeiros no teatro de operações prolongou-se, facto pelo qual os bombeiros estiveram no combate às chamas até por volta das 12 horas…’, o que perfaz cerca de 13-14 horas de trabalho, em condições bastante complicadas, tanto a nível físico como psicológico.

Quanto chegaram junto do ponto de encontro, os bombeiros que integravam o GRIF de Santarém, que era liderado pelo Comandante dos Bombeiros Voluntários de Santarém, recebeu o já ‘conhecido pack’, contendo uma sandes, uma maça e uma garrafa de água de pequenas dimensões.

Fábio Pelica, depois de mais de 12 horas consecutivas de um duro trabalho físico, sobre um enorme calor e condições bastante adversas, utilizou a sua página da rede social Facebook para fazer um desabafo… ‘Deixo a família, deixo o conforto da minha casa, venho arriscar a vida a defender aquilo que não me pertence…’, ‘Saio de casa a correr sem jantar sequer, passo a noite inteira a combater as chamas e a esta hora, o que me dão para comer é somente isto!!!!???’, ‘Deixo que a imagem fale por si! É o reconhecimento que nos dá!’

Rapidamente, a sua publicação e desabafo, feita sobre um grande cansaço físico e sobretudo psicológico, teve inúmeros comentários e partilhas, larga maioria delas de apoio e indignação pela forma como os Bombeiros foram alimentados após 12 horas de trabalho.

De acordo com Luís Fonseca, comandante de Fábio Pelica nos Bombeiros Municipais de Coruche, ‘houve de facto uma falha na logística no incêndio, que não permitiu que os bombeiros fossem alimentados correctamente’, salientando ainda que ele mesmo questionou o comandante do GRIF sobre o sucedido que o informou que durante um longo período de tempo tentou encontrar uma solução para os homens que comandava, mas que esta alimentação foi a primeira que lhes foi servida, por volta das 12 horas do dia seguinte (recorde-se que os bombeiros haviam chegado ao teatro de operações por volta das 23 horas da noite anterior).

Logística continua a falhar nos incêndios

Depois dos fatídicos incêndios de 2017, em que houve uma gigante falha na Coordenação dos incêndios, o que levou a graves roturas de homens e máquinas, em 2019 a situação agora denunciada por Fábio Pelica, vem demonstrar que continuam a existir graves falhas no tratamento a homens e mulheres que arriscam a vida no combate a incêndios.

Até ao momento, não houve ainda uma reacção governamental sobre as questões logísticas.

Fotografias: Direitos Reservados