Bordados Glorianos uma marca do território a caminho do reconhecimento de Património Cultural Imaterial (Com Fotos)

Bordados Glorianos uma marca do território a caminho do reconhecimento de Património Cultural Imaterial (Com Fotos)

20 Setembro 2019, 16:54 Não Por João Dinis

A vila da Glória do Ribatejo, no concelho de Salvaterra de Magos, recebe este fim-de-semana, a primeira edição do Mundus Glória Fest, um festival que congrega o melhor da cultura internacional com as tradições glorianas.

O festival foi inaugurado esta quinta-feira, com a realização de um colóquio subordinado ao tema ‘Bordados Glorianos – Cultura e Território’, que serviu de rampa de lançamento para o início da candidatura dos típicos Bordados Glorianos a Património Cultural e Imaterial.

Os Bordados Glorianos, que transformam objectos de vestuário ou do quotidiano em verdadeiras obras de arte, são feitos há dezenas e dezenas de anos, sendo parte integrante da cultura gloriana, defendida de uma forma inexplicável, por todos aqueles que lá vivem e integram uma das comunidades mais típicas da região.

O colóquio desta quinta-feira, serviu de ponto de partida para que os bordados glorianos sejam classificados como Património Cultural Imaterial, pela Direcção Geral do Património Cultural, podendo assim contar com a sua protecção de divulgação.

Para o Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio, a cultura é um investimento e não uma despesa, pois através dos eventos culturais também se promove o encontro entre as gentes e tradições.

Sobre os Bordados Glorianos, Hélder Esménio começou por dar destaque ao trabalho desenvolvido pelas gentes da Glória, na recolha dos elementos e envolvimento de todos neste trabalho, salientando que todos são poucos para que se leve este trabalho por diante.

Discurso semelhante teve o Presidente da União de Freguesias de Glória do Ribatejo e Granho, João Oliveira, que aproveitou igualmente a ocasião para lançar o desafio ao Presidente da Câmara, para a construção de um Museu, que permita arquivar todo o espólio cultural da sua freguesia.

Presente na mesa esteve também o Presidente da Fundação Inatel, Francisco Madelino, que mostrou todo o seu apoio e da fundação a que preside a esta iniciativa, que é vivida no trabalho do dia-a-dia da comunidade, numa actividade que tem uma ligação entre a cultura e o futuro, pois ainda hoje em dia é praticada diariamente na vila.

Francisco Madelino, destacou que a Glória, pode e deve aproveitar todo o seu potencial, até turístico, lançando-se como um dos ex-libris do Mundo Muçulmano, que inspira as suas tradições.

No campo mais teórico, foram oradores, Rita Pote, Presidente da Casa do Povo da Glória do Ribatejo, e uma das principais impulsionadoras da iniciativa, que explanou e ‘leu’ diversos motivos que eram e são bordados nas mais diversas peças de roupa, existindo mesmo uma ‘actualização’ aos tempos actuais, fazendo-se mesmo bolsas para telemóveis, carteiras, porta moedas e malas, com bordados glorianos.

Rita Pote salientou que esta é uma arte que, vem pelo menos do século XIX, sendo essa a data que se calcula que se iniciaram os primeiros bordados, tendo nessa altura como missão a realização de uma demonstração do brio das mulheres da Glória, que através dos seus bordados, mostravam aos maridos que poderiam ser boas esposas, estando intimamente ligado à sua boa reputação.

Curiosa é a leitura realizada por Rita Pote a alguns dos motivos bordados, onde se podem ver inúmeras peças do quotidiano, como corações, chaves, ligações amorosas a até animais, foi uma das primeiras redes sociais, enumerou.
Saliente-se que apesar de existirem diversos bordados, típicos de casa zona e região do país, os bordados glorianos possuem um ADN próprio, marcado pelos motivos e pelas cores com que são executados.

A arte de ‘arremendar’, nome dado ao trabalho da costura na Glória, neste caso o bordado das peças, a que sobretudo as mulheres glorianas dedicam milhares de horas, que se iniciam na arte com 5/6 anos de idade, serve também para um encontro entre as gentes da Glória, sendo possível por inúmeras vezes poder ver grupos de mulheres, mais e menos jovens, a realizar tal tarefa.

Por fim, o Professor da Universidade de Évora, Filipe Themudo Barata, que irá ser o responsável pela elaboração da candidatura, após explicar de forma resumida como se irá proceder a elaboração da candidatura, solicitou a colaboração de toda a população para o auxílio na recolha dos materiais e na passagem de testemunhos, que possam ser úteis para a formalização da candidatura, no que será um processo longo e moroso.