Câmara de Coruche prepara programa de apoio à economia local e às famílias

27 Abril 2020, 15:12 Não Por João Dinis

Com a pandemia do covid-19, e as regras impostas pelos sucessivos Estados de Emergência aprovados pelo Presidente da República e pelo Governo, levaram a que a grande maioria dos estabelecimentos comerciais do concelho de Coruche tivessem que encerrar, sobretudo por não serem vendedores de bens ou serviços essenciais, facto que irá afectar seriamente a sua continuidade, havendo mesmo alguns que correm o risco de voltar a não abrir portas, após este mês e meio a dois meses que vão estar encerrados.

Esse facto não passa ao lado do Presidente da autarquia coruchense, Francisco Oliveira, que começa por nos salientar que “neste momento aquilo que é a preocupação de todos nós é a saúde pública das pessoas, sabemos que a seguir às preocupações de saúde pública, quando sairmos disto, ou se sairmos de forma progressiva, vamos ter um tsunami na nossa economia, na economia do país, mas especialmente naquilo que é a economia local associada ao comércio local, significa isto que muitos dos estabelecimentos que neste momento estão fechados, ou estão a trabalhar de forma diferente vão ter muita dificuldade em reiniciar a sua actividade, e nós estamos aqui a tentar encontrar um conjunto de medidas que possamos ajudar essas actividades locais ou as micro empresas”, refere o autarca.

Sobre os apoios que estão a ser estudados pelo município de Coruche, o seu Presidente refere que, “nem sempre é fácil porque os municípios estão, digamos que interditos, a apoiar aquilo que sejam actividades que supostamente são sustentáveis economicamente, ou seja, se é um negócio é porque o negócio tem rentabilidade e portanto há aqui algumas limitações a esse apoio, mas à semelhança do programa que criamos, o “Lojas com Gente”, que permite apoio não só ao arrendamento, mas também à melhoria ou modernização do espaço das lojas, também estamos a tentar encontrar soluções para que possamos ajudar, mas tem que ser soluções obviamente legais e que nos permitam a nós actuar”, revelando que estão já em conversações com a Associação de Comerciantes de Coruche e Salvaterra de Magos, “para que se identifique um conjunto de dificuldades, isto é, não basta nós delinearmos uma estratégia de apoio à economia local, é preciso que sejam identificadas pelos próprios as suas maiores dificuldades, obviamente que alguns identificarão coisas simples, como a água, a luz, a renda, etc., mas é preciso que se crie aqui um mecanismo que não seja só um suporte da despesa, mas que seja no alavancar no reinicio da actividade, e acho que isso é importante, criarmos essa disponibilidade para podermos ajudar.”

Não sei neste momento qual é o “desenho” ou mecânica dessa ajuda, estamos a estudar essas medidas de modo a que consigamos implementá-las…”, conclui Francisco Oliveira.

Outra das preocupações da Câmara Municipal de Coruche são as famílias, cujos seus rendimentos foram afectados, em virtude do encerramento de muitas empresas, e do desemprego que irá ainda afectar muitas pessoas, num número não possível de apurar, facto esse que preocupa o autarca de Coruche, “não são só medidas para as empresas, mas também para as famílias, sabemos que neste momento as famílias também atravessam grandes dificuldades, apesar do próprio governo ter permitido e publicado um conjunto de mecanismos que permite às famílias pagar a renda mais tarde, renegociar o empréstimo, não pagar algumas responsabilidades e alguns compromissos, sabemos que são mecanismos um pouco complexos e por essa circunstância, nós temos já alguns programas de apoio social que podem ser enquadrados nesses apoios, isto é para famílias necessitadas, quando se falam em medidas de apoios públicos, nós nunca podemos pensar que são medidas generalizadas, têm que ser medidas de âmbito social de apoio àqueles que efectivamente precisam desse mesmo apoio, claramente, e ainda bem, muitas pessoas não perderam o seu trabalho e continuam com os seus rendimentos…”, concluindo anunciando que, “o conjunto de medidas, seja direccionado para as empresas ou para as famílias é sempre numa resposta directa àquilo que são as dificuldades das pessoas, mas em função também da sua situação económica e da sua necessidade.”