Discussões nas bancadas que envolveram adeptos e jogadores no Coruchense x União de Almeirim afastaram jogador do plantel do Coruchense que acusa agora o clube de racismo

1 Novembro 2019, 8:52 Não Por João Dinis

O encontro Coruchense x União de Almeirim, a contar para a quinta jornada da primeira divisão distrital de futebol de Santarém, que se disputou no Estádio Professor José Peseiro, em Coruche, no passado dia 13 de Outubro, continua ainda na ordem do dia, depois de ter terminado com uma acesa discussão entre um adepto do Grupo Desportivo ‘O Coruchense’ e o irmão de um jogador, tendo mesmo chegado a vias de facto, obrigando a uma intervenção da Guarda Nacional Republicana.

O jogador Yoruba Pinto, vem agora acusar o Coruchense de racismo, depois de ter sido afastado do clube, numa tomada de posição por parte da Direcção do Grupo Desportivo ‘O Coruchense’, presidido por António José Rosa, perante os actos praticados pelo seu irmão, no referido encontro.

De acordo com declarações do jogador ao blogue jornal de desporto, este acusa o clube de ter um acto racista, ‘o que se passou foi um comportamento verdadeiramente racista’, afirma o jogador ao referido blogue desportivo.
Segundo o seu relato dos acontecimentos, ‘o meu irmão estava na bancada a ver o jogo e foi manifestando o seu descontentamento pelo facto de termos perdido’, continuando,’um sócio do Coruchense, que segundo consta havia sido dirigente em direcções anteriores, mandou-o calar e ir para a sua terra, por ser de origem africana. O meu irmão respondeu-lhe que ele não sabia qual era a sua terra e o tal senhor disse: está caladinho, tu não és de Coruche, sai daqui’, prosseguindo o jogador, ‘o meu irmão não se calou, o senhor chegou ao pé dele e deu-lhe uma bolachada e o meu irmão respondeu da mesma forma. O jogo tinha terminado, eu olhei para a bancada, vi o que se estava a passar, saltei a vedação e fui em auxílio do meu irmão para serenar os ânimos’.

Conforme explica o jogador nascido em São Tomé e Príncipe, aquando do primeiro treino seguinte ao jogo, na terça-feira, 15 de Outubro, após o treino, foi-lhe comunicado que face aos acontecimentos verificados na bancada, em que o seu irmão foi um dos intervenientes, o clube iria prescindir dos seus serviços.

O que aconteceu foi ridículo, o adepto pode agredir e fazer comentários racistas mas o meu irmão não se pode defender e eu por ir em seu auxílio é que paguei’, afirma Yoruba Pinto, que acrescenta, ‘sinto que não fui respeitado e até chorei. Este senhor [o Presidente do clube] é um ditador’, concluindo assim as suas declarações.

Irmão de Yoruba manifestava descontentamento pelo seu irmão ser suplente

De acordo com o facto que foi presenciado pelo Notícias do Sorraia, o irmão de Youruba Pinto, após o intervalo, com o Coruchense a perder por 2 a 0, começou a proferir palavras na direcção do banco de suplentes, mostrando descontentamento pelo facto do seu irmão estar no banco de suplentes (entraria aos 75 minutos de jogo), tendo sido chamado à atenção por Aníbal Mendes, sócio do Coruchense, iniciando-se ai uma troca de palavras, que foi acalmada por outros sócios do clube de Coruche. No final do encontro, após a derrota do Coruchense por 3 a 1, os dois terão chegado a vias de facto.
De acordo com o apurado pelo Notícias do Sorraia, nenhum dos intervenientes apresentou queixa junto das autoridades, tendo a intervenção da GNR servido somente para acalmar os ânimos.

Coruchense não comenta para já e Sindicato dos Jogadores não confirma entrada de processo

Segundo o jogador, este apresentou já denúncia da situação junto do Sindicato dos Jogadores, que contactado pelo Notícias do Sorraia remeteu para mais tarde esclarecimentos sobre o assunto, não confirmando para já, a entrada da queixa por parte do jogador.

Fonte próxima da Direcção do Grupo Desportivo ‘O Coruchense’, contactada pelo Notícias do Sorraia, referiu que o clube não irá para já comentar a situação, aguardando o momento que entendam oportuno para o fazer.