Couço une-se para pedir reforço da GNR

30 Novembro 2020, 22:37 Não Por João Dinis

Levado a cabo pela Junta de Freguesia do Couço, concelho de Coruche, decorre até final do mês de Dezembro a recolha de assinaturas para um abaixo-assinado, que tem como objectivo apelar ao Governo, ao Ministério da Administração Interna e Comandos Gerais da Guarda Nacional Republicana (GNR), a necessidade de reforçar e manter em funcionamento 24 horas o Posto Territorial da GNR do Couço.

Esta reivindicação da Junta e Assembleia de Freguesia surge na sequência de graves problemas de vandalismo, furtos, comportamentos cívicos impróprios, assaltos e outros problemas diversos que têm acontecido um pouco por toda a freguesia.

Dada a especificidade da freguesia, são alguns os furtos de materiais e bens agrícolas, cortiça, pinhas, bem como alguma insegurança, fruto de alguns grupos de etnia que vivem na região e que muitas vezes causam desacatos em estabelecimentos ou na proximidade de habitações, o que deixa a população, sobretudo a mais idosa, um pouco assustada.

Ortelinda Graça, Presidente da Junta de Freguesia do Couço, salienta que a freguesia do Couço é a nona maior do país, com uma área de quase 350 quilómetros quadrados, com quatro aglomerados populacionais e um ou outro mais pequeno e dispersos e com uma população envelhecida, o que leva a que existam vários problemas que têm que ser solucionados.

Neste momento o Posto da GNR do Couço tem somente um militar que assegura o serviço das 9 às 17 horas, que curiosamente foi o grande obreiro das obras de reabilitação do espaço, em parceria com a Junta de Freguesia, que permitem que o posto esteja já preparado até para receber os militares do efectivo do Posto de Coruche, aquando este entre em obras, facto que deixa orgulhosa a autarca.

De acordo com a Presidente da Junta de Freguesia, “os problemas com a falta de efectivos começaram a surgir a partir de 2006”, sendo que até ao ano 2000, ou seja, há vinte anos atrás, o posto tinha militares suficientes para garantir a segurança de toda a freguesia.

Em 2006 foi realizado um acto semelhante ao que está a ocorrer agora, depois do Ministério da Administração Interna tentar encerrar o posto, decisão que foi revertida depois da população, através da Junta de Freguesia apresentar às entidades governamentais as suas reivindicações.
A verdade é que agora, apesar de o posto estar em funcionamento, tem apenas um militar em ‘horário de expediente’, “só com um militar, o que não é solução para os problemas de segurança da freguesia”, refere a autarca.

Na opinião da Presidente de Junta, seis militares e um número adequado de viaturas, “daria a segurança que a população necessita, não só à freguesia do Couço, como garantia o acompanhamento às freguesias limítrofes, Lamarosa e Erra, e em simultâneo ao concelho, porque faria com que libertasse os outros militares que estariam no posto em Coruche, para que pudessem acorrer a outras situações que acontecem por todo o concelho”, pelo que considera que “isto não é uma reivindicação só da freguesia do Couço. Isto é uma reivindicação de todas as freguesias do concelho, e do concelho em si, porque são só dois postos da GNR no concelho, Coruche e Couço.”

Também a demora na chegada do socorro à população da freguesia merece o reparo da Presidente de Junta, ainda que considere que o principal motivo para a demora da chegada das autoridades se deva à distância de mais de 25 quilómetros que separa a sede de concelho da freguesia do Couço, factor que seria também colmatado com a existência de militares 24 horas do dia afectos ao posto do Couço.

Na opinião de Ortelinda Graça, “uma efectiva regionalização seria a resolução dos problemas do interior do país”, referindo que “enquanto o poder central não encarar o interior do país como ele realmente precisa de ser encarado, a todos os níveis, este problemas não terão solução imediata”, apesar desta referir que sente que o Comando Distrital de Santarém da GNR tem o desejo de corresponder aos anseios da freguesia.

De momento, e até ao final do mês de Dezembro, a Junta de Freguesia do Couço continuará a recolher assinaturas no abaixo-assinado, para que possa depois fazer chegar às entidades competentes, nomeadamente ao Governo, Ministério da Administração Interna e Comando da Guarda Nacional Republicana as suas reivindicações, de luta por manter o Posto Territorial do Couço aberto 24 horas por dia e com número de militares e meios adequados ao seu funcionamento em permanência.