“É importante passar uma mensagem de tranquilidade, mas que as pessoas também saibam que estamos preparados para tudo…” afirma o Presidente da Câmara Municipal de Coruche após novo foco de covid-19 no concelho

“É importante passar uma mensagem de tranquilidade, mas que as pessoas também saibam que estamos preparados para tudo…” afirma o Presidente da Câmara Municipal de Coruche após novo foco de covid-19 no concelho

24 Abril 2020, 8:37 Não Por João Dinis

Depois de Coruche ter sido dos primeiros concelhos do país a ter um foco de contágio do covid-19, com sete pessoas infectadas numa unidade fabril local, um novo foco da pandemia na freguesia do Couço voltou a alarmar a população, que embora agora mais informada, continua ainda com bastante receio.

Contactado pelo Notícias do Sorraia, Francisco Oliveira, Presidente da Câmara Municipal de Coruche, fez um ponto de situação no concelho de Coruche, começando por afirmar que “ao dia de hoje nós temos de facto boas notícias, não são muito boas, mas são boas, não temos de facto mais casos, o número de casos que temos ao dia de hoje é exactamente igual ao que tínhamos ontem, e portanto, com vinte e um casos activos, sendo que dos casos totais confirmados, que no total são trinta e sete, quinze deles já estão dados como dados curados, portanto significa que face ao número de casos activos, também são boas notícias, que já tivemos quinze casos curados que é muito bom”, começa por referir o autarca que continua referindo que os casos recuperados no concelho e dos focos de “contágio inicial associados à Atlantic Meals, todas as situações tão curadas, o que são também boas notícias, também alguns casos que foram associados à Marinhave, algumas dessas situações também já estão curadas, significa isto que de facto há uma boa recuperação de casos curados no nosso concelho.

A freguesia do Couço registou nos últimos dias um aumento significativo do número de casos, facto que merece agora toda a atenção da autarquia liderada por Francisco Oliveira, que declara que, “ultimamente verificou-se de facto um foco de contágio com maior incidência na freguesia do Couço, e sabemos que esse foco de contágio está associado à fábrica das carnes do Grupo Sonae, em Santarém, que nos tem gerado aqui mais alguma preocupação tendo em conta que houve um crescente número de casos identificados como positivos associados a essa unidade industrial, ainda assim esses casos estão condicionados àquilo que são as proximidades familiares, não estando na comunidade de forma que constitua uma situação alarmante, o que significa que todas as situações estão identificadas e são acompanhadas por parte das autoridades de saúde e policiais e também pela Câmara Municipal, naquilo que são situações de necessidade de apoios, medicamentos, alimentação ou outros, estamos a fazer esses contactos”, destacando este também o trabalho levado a cabo pela Junta de Freguesia que “tem desenvolvido acções de proximidade junto das pessoas para que nós possamos apoiar, até porque estas situações de pessoas que são portadoras do vírus, é importante que nós respeitemos essa situação, uma vez que é uma infelicidade que pode acontecer a cada um de nós, pode acontecer a cada cidadão e é importante que acima de tudo nós respeitemos as dores que as pessoas têm, mais ninguém tem do que eles é o facto de estarem privados da sua liberdade, estarem privados de sair de casa, do contacto das suas famílias…”, referindo este também que “é importante também que respeitem e que todos respeitem aquilo que são as regras de contenção social, regras de aproximação, regras no que diz respeito à higiene pessoal de cada um, relativamente à utilização de desinfectantes e máscaras, quando se trata de situações de maior aglomeração de pessoas ou no local de trabalho.”

Ao dia de hoje a situação do Couço é uma situação que a autarquia e as autoridades de saúde consideram controlada, pois todas “as situações de facto estão identificadas e contidas, não é uma situação preocupante que nos leve a tomar outro tipo de medidas”, sendo que Francisco Oliveira fez-nos um resumo da reunião da Comissão restrita da Protecção Civil, que contou para além da Presença do Presidente da Câmara Municipal de Coruche, com a presença virtual do Delegado de Saúde, do Coordenador da Unidade de Saúde Familiar de Coruche, Dr. Carlos Ceia, do Comandante da GNR, do Coordenador Municipal de Protecção Civil, da Presidente da Junta de Freguesia do Couço e o Presidente da Junta de Freguesia de Santana do Mato, “para avaliarmos a situação do concelho de forma generalizada e de forma mais específica aquilo que se está a passar na freguesia do Couço e houve aqui alguma consensualidade por parte de todas as autoridades, que a situação ainda que tenha algum nível de preocupação, não é preocupante, e portanto no sentido de se transmitir aqui alguma tranquilidade e alguma serenidade às populações, mas também aqui um reforço e um respeito por aquilo que são as regras de afastamento social, que são de facto importantes que elas se mantenham.”

Sobre as novas medidas levadas agora a cabo pelas autoridades, o Presidente do Município de Coruche, começa por enumerá-las, “foram definidas um conjunto de medidas que irão ser tomadas, desde logo medidas de comunicação, ou reforço da comunicação, junto das populações por forma a que, ainda que seja um tema muito debatido e muito comum e falado a todos os níveis, ainda assim alertar as populações para o cumprimento restrito das medidas recomendadas por parte da Direcção Geral de Saúde”, sendo que vão ocorrer novas desinfecções que passam por “um reforço da higiene do espaço público, especificamente ao nível do espaço público fazer essa higiene, quer dos edifícios ou da rua, onde exista a possibilidade de haver maior visitação de pessoas, ou maior aglomeração, ainda que ela não seja permitida”, bem como “um reforço da fiscalização e vigilância por parte das autoridades policiais, ou seja, direccionado ao comando distrital um pedido de reforço de meios humanos por forma a que a GNR tenha mais meios humanos para fazer esta vigilância diária, vigilância ao comportamento das pessoas, não é uma vigilância repressiva, será pedagógica, mas que se em alguma situação de pessoa identificada, ou que seja portadora do covid, não estiver restrita àquilo que é o seu ambiente familiar, claramente que a autoridade tem competência e deve identificar essa pessoa para que de certa forma seja responsabilizada pela transmissão de doença infecciosa.”

Uma vez que o foco da grande maioria dos casos da freguesia do Couço foi identificado e diz respeito à unidade fabril de transformação de carnes do Grupo Sonae em Santarém, Francisco Oliveira diz que “solicitamos também às entidades da saúde e policiais para que se fiscalize a fábrica do Grupo Sonae, no sentido de estes identificarem que estão a ser cumpridas todas as medidas de saúde pública e de protecção dos trabalhadores ao nível dos EPI’s, que estão a cumprir com o seu plano de mitigação ao combate ao covid-19, e ainda uma verificação por parte das autoridades policiais, naquilo que é o transporte dos trabalhadores por parte destas entidades, seja o trabalhadores do Grupo Sonae, bem com outros trabalhadores, a forma como são transportados, se são cumpridas as regras de afastamento social, se os trabalhadores têm EPI’s no meio de transporte, se o autocarro vai sobrelotado, se é uma carreira pública ou se é alugado para o efeito. Vamos fiscalizar de forma, eu diria regular e não aguisada os transportes destes trabalhadores, porque sabemos que apanham trabalhadores no Couço, na Azervadinha, no Bairro da Areia, entre outros locais, e acho que é importante nós tomarmos medidas para fiscalizarmos o transporte dos trabalhadores e obviamente continuar a recomendar às pessoas, aos cidadãos um cumprimento das regras e das medidas, porque só assim, com cumprimento individual de cada um é que nós conseguimos proteger o colectivo e disponibilizamo-nos claramente todos, quer as autarquias, a saúde, a protecção civil e as autoridades policiais para ajudar as populações que estejam em maior isolamento, situações de maior carência social ou económica, para que sejam encaminhados ou para as instituições que estão a prestar esse apoio ou para nós próprios possamos dar a ajuda necessária.”

Questionado por nós sobre várias mensagens que nos têm feito chegar sobre o não acatamento das pessoas às medidas de isolamento da população do Couço e se seriam utilizados novos meios para reforçar a mensagem, este refere que, “nós já o fizemos através do mailling dirigido às caixas de correio, vamos agora utilizar uma forma de comunicação diferente, exactamente nesse sentido, ou seja, para que as pessoas evitem esse convívio ou esse contacto social, por forma a se protegerem a eles e protegerem a comunidade, é a forma que o temos mais directa de um fazer, é através de um mailling por parte dos CTT.
Em caso de necessidade as próprias forças de segurança têm nas viaturas altifalantes e microfones, que podem utilizar para dissuadir eventuais ajuntamentos.”

Ainda assim o Presidente da Câmara de Coruche acha que “o registo que temos no nosso concelho é de um bom comportamento, e esse temos que reconhecer que as nossas populações, que os coruchenses tiveram desde logo, numa fase inicial, um comportamento muito cívico, no sentido de acautelarem e acautelarem-se relativamente a esta questão da propagação do covid-19, porque nós fomos um dos primeiros concelhos com uma incidência de casos e o que é facto é que até agora se conseguiu controlar essa disseminação e conseguiram-se curar inclusive um conjunto de casos que foram identificados. Não obstante que onde existam situações, ou por desinformação, ou culturalmente as pessoas tem essa tradição, essa proximidade, que se possa de facto incentivar, junto das pessoas a que tenham essa cautela, por forma a se protegerem a eles e protegerem os outros.

Com diversos meios empenhados no auxilio à população, aproveitamos também a ocasião para realizar um primeiro balanço da operação no concelho de Coruche, que o seu Presidente nos refere que, “só em transportes, nós já transportamos aproximadamente dez pessoas para fazer testes, isto é, pessoas que não têm meios de se transportar, pendem-nos a nós e nós transportamos de forma gratuita essas pessoas. Isto para fazerem o teste, o contra teste e a contra análise”, sendo que “depois no que toca aos apoios por parte da linha da Protecção Civil, para além de directamente os nossos bombeiros fazerem esse transporte dos medicamentos ou da alimentação, temos outros parceiros que colaboram connosco, por isso digamos que a dimensão de situações não é tão grande”, isto porque “as próprias Juntas de Freguesia, quer a do Couço, do Biscainho, a de Coruche, são também diria “pombos correio”, também nos ajudam muito nestas questões, as próprias juntas de freguesia vão levar o medicamento ou a alimentação, a Búzios tem sido um parceiro fundamental nesse processo, tem colaborado muito com a Protecção Civil, no sentido de entregar não só alimentação, mas também medicamentos, a Cáritas é um parceiro extraordinário naquilo que é o apoio às famílias que são mais carenciadas ao nível da alimentação, entregando cabazes e alimentos, quer àquelas famílias que já estavam identificadas antes, quer às que são agora identificadas, face a esta questão, porque perderam o emprego, porque as empresas estão em layoff, ou por outra situação qualquer, a equipa técnica da Cáritas está a fazer esse apoio, também a equipa técnica da REDIS que está inserida nos programas do apoio social, e portanto eu diria que um conjunto de entidades, desde logo a Protecção Civil, Juntas de Freguesia, a Búzios, a Cáritas e a Redis estão de facto a fazer este acompanhamento e este apoio social, daí que o Município de Coruche não tenha necessidade, como outros tiveram, de criar a própria estrutura de distribuição de alimentos porque existe no concelho essa estrutura de rede social que assume esses serviços.”

Também os mais idosos e isolados vão tendo um apoio do município, isto porque “paralelamente e como também já foi bastante divulgado, a acção social da Câmara Municipal, e aí sim directamente da Câmara Municipal, e em colaboração com a GNR estamos a fazer a visitação domiciliária a um conjunto de idosos que já estavam identificados, mas estão identificados como estando isolados sozinhos, por estarem afastados das famílias, não estão isolados face a esta situação, ainda assim nós entendemos que era bom nós levarmos uma palavra de conforto, também alguns esclarecimentos sobre a situação, e portanto estamos a fazer esse trabalho de parceria com todas as associações e as forças vivas do concelho.”

De uma forma muito resumida e sobretudo tranquilizadora para os coruchenses Francisco Oliveira salienta que “é importante que nós possamos transmitir à nossa população uma mensagem de tranquilidade, tanto naquilo que são as medidas que estão adoptadas em termos de Protecção Civil por parte do Município de Coruche, em conjunto com as várias autoridades e esse plano está traçado no sentido que se tivermos alguma circunstância mais alargada ou mais alarmante nós possamos tomar essas medidas, agora é importante também que nós consigamos transmitir esse conforto que assenta muito na solidariedade das pessoas, isto é, porque esta questão associada ao covid-19 incide sobre o cidadão e sobre a comunidade e portanto a primeira preocupação é a protecção do individuo e depois a protecção da comunidade, por isso cabe em primeira instância a responsabilidade individual e depois a responsabilidade colectiva a todos nós”,  sendo que este refere ainda que para além da mensagem de conforto pretende também deixar uma mensagem de “tranquilidade que de facto os mecanismos estão todos preparados e traçados para os vários cenários possíveis, sendo certo que aquilo que desejamos é que o melhor cenário, que é a não existência de casos se possa vir a acontecer, ainda assim obviamente que nós estamos preparados  para qualquer situação que possa acontecer mais desagradável.”

Sobre o confinamento a que agora todos estamos obrigados, este deixa uma última mensagem de apelo a todos, referindo que “é muito difícil, e compreendemos isso, que as pessoas estejam proibidas, ou condicionadas naquilo que são as saídas dos seus domicílios, já ninguém aguenta dir-se-ia, estamos todos um bocadinho saturados, estão saturados aqueles que tem que estar em casa, muito mais saturados estão aqueles que têm o problema, porque também não pediram para ter o problema, e temos que ser solidários e compreensivos com esses que tem esse problema, e é importante que nós nesta altura sejamos acima de tudo compreensivos, solidários e responsáveis, responsáveis no sentido de não nos permitirmos à propagação desta infecção, e solidários no sentido de podermos ajudar o nosso vizinho, a nossa família, o nosso amigo, a resolver problemas tão simples como levar o farnel, o medicamento, ir à loja, fazer essas coisas.”

O autarca terminou fazendo um voto de esperança bastante pragmático, “fazer um voto de esperança, esperança que a curto trecho nós consigamos sair disto, vamos conseguir sair disto muito feridos e muito, eu diria, maltratados, porque ainda que consigamos resolver os problemas da saúde de cada um e da saúde de todos vamos ter vários problemas a nível da nossa economia, vamos ter problemas sociais, para os quais também é preciso começar já a desenhar algumas medidas de apoio ou apoios à nossa comunidade porque claramente sabemos que vamos sair disto muito pior do que entramos.”