‘É preciso que nós acordemos de uma vez por todas e perceber que há fenómenos que se estão a alterar e que têm impacto na vida das pessoas…’, afirma Francisco Oliveira fazendo um balanço das acções ‘pró-ambiente’ desenvolvidas pela Câmara de Coruche

‘É preciso que nós acordemos de uma vez por todas e perceber que há fenómenos que se estão a alterar e que têm impacto na vida das pessoas…’, afirma Francisco Oliveira fazendo um balanço das acções ‘pró-ambiente’ desenvolvidas pela Câmara de Coruche

4 Dezembro 2019, 13:06 Não Por João Dinis

Com as alterações climáticas na ordem do dia, o Município de Coruche, pioneiro a nível nacional a cuidar do ambiente do seu concelho, muitas são as iniciativas que se realizam tendo em conta o ambiente e a redução da pegada ecológica no concelho de Coruche.

Francisco Oliveira, Presidente da Câmara Municipal de Coruche salienta que o workshop realizado esta terça-feira, no Observatório do Sobreiro e da Cortiça, em Coruche em que se debateram os Instrumentos de Planeamento e Adaptação às Alterações Climáticas em Coruche, decorreu, ‘no âmbito daquilo que é o Climadpta e o Pacto dos Autarcas e também o Beacan, que são vários projectos que o município faz parte exactamente em simultâneo com aquilo que é a cimeira europeia do clima que está a decorrer em Espanha, portanto também interessante este decurso quase que em simultâneo, ainda que em dimensões diferentes.’

‘Nós temos este orgulho de termos sido um dos municípios pioneiros, por um lado a aderir ao Pacto dos Autarcas, que é o pacto para o clima, naquilo que tem a ver com a redução das emissões carbónicas, a valorização daquilo que são recursos energéticos e naturais para combater as alterações climáticas, agora o Pacto dos Autarcas com a estratégia para as alterações climáticas no concelho de Coruche e agora numa abrangência superior, que tem a ver com a integração do pacto das alterações climáticas no âmbito da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo’, salientando ainda que ‘este workshop está de certa forma a ser realizado no âmbito das alterações climáticas com a presença de parceiros e de elementos do concelho local para as alterações climáticas, com a presença de universidades, também com os redactores do nosso PDM, que é um instrumento importante para ter também no seu regulamento, aquilo que são alguns indicadores para o cumprimento das alterações climáticas.

Sobre o impacto das alterações climáticas do dia-a-dia das pessoas, Francisco Oliveira é bastante pragmático, ‘as alterações climáticas são hoje o tema do dia, em qualquer fórum, em qualquer circunstância e é preciso que nós acordemos de uma vez por todas e perceber que há fenómenos que se estão a alterar naquilo que são, no fundo, as estações do ano, o clima, os fenómenos de precipitação, temperaturas elevadas, e eles têm impacto na vida das pessoas, têm impacto na actividade económica, na agricultura, na floresta e vão ter um impacto brutal nas gerações futuras se nós, hoje, a esta geração, não estiver capacitada para fazer algumas alterações’, focando ainda que são necessárias, ‘pequenas alterações de comportamento, que têm a ver com questões de ordenamento do território, mas também com questões relacionadas com focos de poluição com situações de linhas de água… inúmeras situações para as quais nós devemos estar preparados e de certa forma preparar os nossos jovens, preparar o futuro para minimizar e mitigar as alterações climáticas…

Desde 2015 que Coruche tem olhado para as alterações climáticas de forma diferente, e um bom exemplo disso foi a distinção do Município de Coruche como Município do Ano, ‘numa obra, ainda que ela esteja debaixo do chão e não se veja, foi muito importante, que foi a valorização da água das piscinas municipais’, realçando ainda Francisco Oliveira outras obras sobretudo dando foco à, ‘valorização energética, as intervenções que foram feitas no Quartel dos Bombeiros, no Mercado Municipal, no Museu Municipal, no sentido de substituirmos os componentes de iluminação normais por iluminação LED, também ao nível da iluminação pública dizer que fizemos um investimento brutal e substituímos a maior parte das lâmpadas existentes na via pública por lâmpadas LED e contamos chegar ao final do próximo ano, com cerca de 90% das luminárias, dos candeeiros de iluminação pública substituídos com a nova iluminação.’

Além de obras de intervenção, Francisco Oliveira acrescentou também que é necessário educar os nossos jovens para as boas práticas ambientais e isso tem sido feito, ‘com a educação ambiental, também os vários workshops e fóruns de educação ambiental, no sentido de transmitir aos nossos jovens também estas preocupações relacionadas com as alterações climáticas’.

Todas as intervenções realizadas pelo município no espaço público, tem agora uma forte preocupação ambiental, ‘o nosso PEDU (Plano Estratégico para o Desenvolvimento Urbano) já prevê uma componente que é o PAMUS (Plano para a Mobilidade Sustentável) e a mobilidade sustentável, tem a ver também com as alterações climáticas no sentido se reduzir a utilização de veículos que consumam combustíveis fósseis, para veículos movidos a energia eléctrica ou eventualmente até a utilização da bicicleta, como foi o caso das bicicletas Campinas e dos circuitos de bicicleta que nós temos, que é também uma medida que de certa forma pretende suscitar ou pelo menos direcionar as pessoas para a utilização de outros veículos, que não veículos automóveis e assim reduzirmos também a poluição.’

O município de Coruche tem em desenvolvimento diversos projectos, numa altura em que se inicia também a discussão do novo Plano Director Municipal (PDM), algo que foi também focado pelo Presidente da Câmara, ‘temos também outros projectos que estamos a desenvolver nesta área que são muito importantes, falou-se aqui na ordenação territorial do concelho de Coruche, isto é, temos zonas urbanas definidas, temos uma zona industrial ou parque empresarial perfeitamente definido que é um projecto que estamos a desenvolver para os Passadiços do Sorraia’, que não são mais nem menos que, ‘a possibilidade de ligar Coruche a esta zona da margem esquerda (do rio Sorraia), designadamente à Zona Industrial, ao Montinhos dos Pegos, ao Rebocho, de forma ciclável ou até mesmo a pé, porque sabemos que aquela zona do aterro (EN 114) é intransponível, a pé ou de bicicleta, tendo em conta que não tem espaço para os peões, e aquilo que queremos fazer é construir esses passadiços, a que designamos Passadiços do Sorraia, por forma a termos mobilidade sustentável, entre a vila de Coruche e a Zona Industrial.’

Iniciou-se também neste workshop a discussão do novo PDM de Coruche, que está a ser trabalhado por uma equipa designada para o efeito, algo que se está a demonstrar bastante difícil de concretizar e Francisco Oliveira explica-nos porquê, ‘os novos PDM, os PDM’s de última geração, para os quais os municípios, e não só o de Coruche, tem tido alguma dificuldade em concretizar e ter os instrumentos de planeamento devidamente organizados, eles têm a ver com uma série de outros instrumentos de planeamento, com o PROD o PROF, o plano de ordenamento de território nacional, o plano de ordenamento da floresta, as questões da REN, da carta de solos, enfim… uma série de outros instrumentos, inclusive também o plano de defesa da floresta contra incêndios, são instrumentos de planeamento ao nível nacional, ao qual o PDM se tem que subjugar e portanto algumas dessas indefinições levaram a que existisse algum atraso na realização ou na materialização do nosso PDM, ainda assim, como dizia à pouco, os PDM’s de última geração eles são muito mais condicionadores ou limitadores naquilo que tem a ver com a expansão urbanística ou na construção urbano, o que significa que actualmente o nosso PDM poderá ter alguns condicionamentos em algumas áreas da construção’, ainda assim o Presidente da Câmara de Coruche frisa, ‘mas também não se pense que os novos PDM’s vão resolver todas as situações, nalguns casos ainda vão de certa forma condicionar a possibilidade de existirem áreas expectantes para a construção, isto é, os novos PDM’s terão previstas áreas dos aglomerados populacionais, das zonas urbanas edificadas e não preveem áreas expectantes para construção e portanto isto é de certa forma limitador face áquilo que são as regras do actual PDM.’