‘Espero que estas acções não sejam pontuais e se tornem permanentes, na defesa do rio Sorraia…’, afirma Francisco Oliveira, autarca de Coruche

5 Setembro 2019, 17:04 Não Por João Dinis

O Presidente da Câmara Municipal de Coruche, Francisco Oliveira, à direita na foto, acompanhou esta quarta-feira, a primeira intervenção da ceifeira aquática, no açude do Furadouro e fazendo um balanço positivo dos primeiros dias da intervenção contra a praga de jacintos do rio Sorraia, salienta que esta é uma intervenção que terá que se prolongar por muitos meses.

Como diz o povo, há males que vêm por bem, e o mal foi de facto a densidade de jacintos que está a contaminar o nosso rio Sorraia em toda a sua extensão, desde a sua foz, praticamente até à sua nascente, aqui onde nos encontramos, na freguesia do Couço, na zona de Entre Águas, que é onde nasce o rio Sorraia’, destacando que, ‘esta praga do jacinto de água está alojada não só no leito do rio, mas também em alguns afluentes, linhas de água, açudes, como o caso no açude que nós verificamos à pouco tempo, com esta intervenção, o açude do Furadouro, portanto é importante que exista um envolvimento de todos’.

Francisco Oliveira pede um envolvimento de todos na luta contra esta praga e na limpeza do rio Sorraia, ‘falo da sociedade civil, dos cidadãos, das entidades oficiais, das Câmara Municipais, do nosso Governo, para que nós de uma vez por todas consigamos eliminar e erradicar esta praga, porque o problema tem-se vindo a agudizar, ano a após ano, e este é um dos mais complicados ou dos mais gravosos, com a disseminação desta praga de jacintos, porque de facto as temperaturas são muito elevadas, o caudal do rio, cada vez temos menos caudal de água e portanto é propicio ao desenvolvimento desta espécie, por outro lado, o nosso rio está encaixado em pleno Vale do Sorraia, em zonas de regadio, onde os nutrientes que vêm para o nosso rio são de factos propícios aos desenvolvimentos desta espécie.’

Sobre a intervenção realizada até ao momento, o balanço é positivo, mas para o autarca é necessário uma intervenção ainda mais musculada, que trabalhe também na limpeza e desassoreamento do rio, ‘na minha óptica, estas acções que estão a ser desenvolvidas, e bem, tuteladas pelo Ministério do Ambiente e pela Agência Portuguesa do Ambiente e Associação de Regantes, em colaboração com Município de Benavente, Coruche e agora também de Mora, são de facto importantes, mas é preciso que elas se estendam no tempo, isto é, não sejam uma acção pontual com vista à remoção dos jacintos do leito de água, mas que seja uma acção convertida num plano de acção com actividades muito direccionadas para intervenções no nosso rio’, destacando que o ‘rio é caracterizado por várias tipologias em cada um dos troços, há zonas do rio que têm caudal de água, há zonas em que está mais seco, mais açoreado, tem no seu leito também infestantes, nomeadamente salgueiros, freixos e outras, que estão a contaminar e a invadir o leito do rio, portanto é preciso que haja esse plano de acção que está a ser desenvolvido pela APA, para se intervir no rio, intervir na sua limpeza, a limpeza das margens, o desbaste de algumas espécies arbóreas que estão na sua envolvente e claramente este combate acérrimo que desta vez estamos a fazer de forma musculada contra o jacinto de água.’

Sobre a utilização da ceifeira aquática, Francisco Oliveira salienta que este equipamento realiza um trabalho fabuloso, mas que infelizmente não pode ser utilizado em toda a extensão do rio Sorraia, porque necessita de condições específicas, ‘este equipamento disponibilizado pelo Município de Águeda através da APA, está neste momento no açude do Furadouro, porque é o espaço que reúne condições para este equipamento trabalhar, pois são necessários no mínimo de uma lamina de água entre 60 a 70 centímetros para poder trabalhar e depois para poder manobrar. O rio Sorraia ao longo do seu curso não tem disponibilidade de água nem de espaço para que aquele equipamento possa trabalhar’, esclarecendo que, ‘o açude do Furadouro foi o espaço que nós encontramos, que também está completamente infestado com esta praga de jacintos e que reúne condições para este equipamento trabalhar e por isso está lá a trabalhar e a fazer a remoção de uma forma até melhor do que esperávamos, porque tem condições de trabalho, espessura da lâmina de água, estamos a falar de um barco com uma ceifeira acumulada e portanto precisa de água para navegar e estamos a falar de um equipamento que necessita também de espaço para realizar as suas manobras, pelo que necessita de dimensão da bacia de água para fazer esse trabalho’.

O edil espera que o equipamento possa vir a limpar grande parte dos jacintos de água que se concentram no leito do rio Sorraia, estando previsto que após a intervenção no açudo do Furadouro, venha a intervir noutras zonas do rio, nomeadamente na zona da Torrinha, em Coruche.

Questionado se este será um trabalho de continuidade, e que a partir de agora o rio Sorraia passe a ter um acompanhamento permanente, Francisco Oliveira foi bastante claro, ‘assim espero, eu quero acreditar que estas acções não são acções meramente pontuais, no sentido de combatermos as zonas mais gravosas ou que põem em causa algumas estruturas na travessia do nosso rio Sorraia, nomeadamente as pontes, estou em crer que há toda a vontade por parte da tutela em alargar esta intervenção a todo o rio Sorraia e se não nos for permitido durante este ano, que no próximo ano, se possa em tempo, isto é, no inicio do ano, prever acções que possam remover o jacinto enquanto ele não estiver disseminado em toda a extensão do rio’, reconhecendo que, ‘se estas acções têm começado à mais tempo eventualmente não teríamos hoje a densidade de jacintos que temos hoje e portanto o trabalho também teria sido muito mais facilitado, mas para que esta situação não se volte a repetir é preciso que estas acções tenham continuidade ao longo de vários anos, e só assim é que nós vamos conseguir quase que erradicar ou minimizar aquilo que é o impacto que o jacinto provoca nos nossos rios, até porque estamos a falar de questões ambientais, questões ecológicas, na preservação do meio ambiente, do meio aquático e também na manutenção das acessibilidades ao rio, porque o rio também é utilizado para usufruto por parte das pessoas e querem de facto que este rio esteja despoluído desta espécie invasora’.