Limpeza dos jacintos do rio Sorraia continua diariamente com o movimento Juntos pelo Sorraia a pedir mais empenho ao Governo

Limpeza dos jacintos do rio Sorraia continua diariamente com o movimento Juntos pelo Sorraia a pedir mais empenho ao Governo

16 Janeiro 2020, 20:38 Não Por Redacção

Contrariamente ao que o Ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, havia afirmado no Parlamento, na passada terça-feira, o rio Sorraia não se encontra limpo da praga de jacintos, e diariamente a maquinaria da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia efectua trabalhos de limpeza.

Isso mesmo foi esta quinta-feira verificado pelo movimento Juntos pelo Sorraia, nomeadamente nas zonas da Torrinha, Trejoito e ponte do Rebolo, onde se encontram as máquinas com os baldes especiais, para retirar para as margens as plantas.

Em declarações à agência Lusa, Sandra Alcobia, bióloga e uma das dinamizadoras do movimento, lamentou que a intervenção “séria e diária” que aconteceu em outubro e início de novembro tenha passado a ser “mais pontual, mais junto às pontes”.

“Podemos verificar e dizer que quase que parece que o trabalho não foi feito, porque estamos a falar de milhares de pés de jacintos, uma rede gigantesca que estava a cobrir o rio e que, à medida que a própria água os vai soltando, vão avançando e vão chegando cada vez mais para jusante”, salientou Sandra Alcobia, para quem é “urgente que o trabalho seja diário, que se continue com a remoção mecânica que está a ser feita, apesar de não ser a ideal”, já que “os propágulos se vão partindo, vão quebrando e vão dar origem a novas plantas”.

Segundo afirmou, “esta é a altura ideal do ano para fazê-lo, porque é a altura, no ciclo de vida da planta, de reprodutividade baixa”, devido ao frio.

Salientando a área extensa que está em causa, de dezenas de quilómetros, dada a quantidade de afluentes, também já “completamente contaminados”, Sandra Alcobia alertou para a consciencialização de que este “é um trabalho que vai demorar muitos, muitos anos”.

“Se imaginarmos que cada semente tem uma duração de vida de perto de 20 anos, imaginem agora todo este banco de sementes que aqui está acumulado, com toda esta montanha de jacintos que estão a ser retiradas de junto das pontes”, disse, pedindo que seja encontrada uma solução também para este material.

“Deixar o jacinto na margem não é de todo uma solução”, disse, deixando como sugestão o aproveitamento pelas empresas que estão a surgir para a recolha seletiva de compostos orgânicos (para compostagem) ou a análise de soluções encontradas em vários países.

“Entendo perfeitamente que as espécies invasoras não possam ser aproveitadas em termos económicos, procurando não fomentar a sua dispersão, mas o que é verdade é que tudo o que está acumulado aqui nas margens também está a libertar para a atmosfera todo o seu CO2, portanto tudo o que absorveu em vida está a ser libertado, e está a produzir gás. Por debaixo desta montanha de jacintos há gás a ser formado. É compostagem pura”, declarou.

José Pastoria, outro elemento do Juntos pelo Sorraia, salientou a disponibilidade do movimento para acompanhar todos os outros partidos que estejam empenhados em dar visibilidade e a encontrar uma solução para o problema.

Depois da visita de elementos do Bloco de Esquerda, segundo disse José Pastoria, há já igual pedido dos deputados do PSD, que aguarda apenas indicação da data, e manifestações de interesse de outros que só não se concretizaram antes porque o movimento não quis que coincidissem com a campanha eleitoral.