Ministro do Ambiente visitou trabalhos de limpeza de jacintos do rio Sorraia (Com Fotos)

Ministro do Ambiente visitou trabalhos de limpeza de jacintos do rio Sorraia (Com Fotos)

4 Setembro 2019, 23:43 Não Por João Dinis

João Pedro Matos Fernandes, Ministro do Ambiente, visitou esta quarta-feira, 4 de Setembro, o Açude do Furadouro, onde um verdadeiro tapete verde, composto por jacintos de água, cobria a totalidade do espaço de água.
Emprestada pelo Município de Águeda, veio até ao concelho de Mora, uma ceifeira aquática, que faz a recolha desses jacintos, amontoando-os nas margens, tendo feito um enorme monte em cerca de uma hora, o que atesta bem o excelente trabalho que faz, mas também a quantidade de jacintos de uma praga que está a ser combatida com todas as armas mecânicas disponíveis no momento.

Para o Ministro do Ambiente a imagem que se podia observar do cimo da ponte era avassaladora, ainda que o Açude do Furadouro seja neste momento o ponto onde existe a maior concentração da praga, pois em Coruche e Benavente a situação já é bem diferente, dadas as limpezas efectuadas nos últimos dias.

Os jacintos de água são uma infestante, não há memória, ainda agora me disseram aqui da Associação de Regantes, que não há memória disto ter acontecido no rio. Sim, os jacintos aparecem e depois com a geada eles morrem, ou pelo menos, deixam de ser aparentes… com esta dimensão tal nunca se tinha visto…’, observa o Ministro que salienta que após as denúncias a intervenção decorreu no mais breve espaço de tempo.

Para já, os trabalhos de limpeza mecânica vão decorrer até ao final de Outubro, nos concelhos de Mora, Coruche e Benavente.

Sobre os meios utilizados, João Matos Fernandes destaca a ceifeira aquática, emprestada pela Câmara de Águeda que ‘dá de facto grande rendimento, se passarem aqui, daqui a uma semana, ou dez dias, já vão ver um panorama completamente diferente’, salientando que se vão agora iniciar os trabalhos científicos, ‘com o melhor da comunidade cientifica portuguesa vamos tentar perceber o que é que podemos e temos que fazer para que estes fenómenos se não repitam, sendo que eles são fenómenos que resultam do muito calor e da falta de água, mas obviamente que tudo temos que fazer para que eles não se repitam, ainda que esta intervenção não tenha um custo financeiro muito significativo é óbvio que devem ser dispensáveis estas intervenções’.

Para o Ministro será fundamental que se encontre uma solução que permita o menor número de intervenções possíveis no rio, ainda que seja uma espécie difícil de erradicar, dadas as suas condições de multiplicação naturais, ‘a planta tem uma espécie de bolbos, que quando a planta morre vão para o fundo do rio e são muito difíceis de ‘matar’, de erradicar, acho que devemos obviamente tudo fazer para não ter aqui qualquer tratamento químico, numa situação destas, mesmo que localizado, devemos evitá-lo’, declarou João Matos Fernandes.

Ainda que não tenham existido notícias ou relatos de mortes de espécies da fauna e da flora do rio Sorraia, esta é para o Ministro, ‘uma situação que prejudica naturalmente a qualidade da água e o uso que pode ser feito do próprio rio, estava aqui um colega que se lembra de pescar aqui, algo que agora é impossível. Estas plantas são seres vivos, consomem oxigénio e ao consumirem oxigénio prejudicam naturalmente a qualidade da água’, reforçando a ideia de que a intervenção ocorreu a tempo de evitar um problema ambiental, ‘felizmente não ocorreu nenhum problema de anoxia que levasse à morte das espécies piscícolas, mas o risco de vir a acontecer era grande se não fizéssemos o que estamos a fazer, o Ministério do Ambiente, as autarquias, agradeço muito à Câmara de Coruche e de Benavente serem aqui nossos parceiros e também com a Associação de Regantes do Sorraia’.

A partir de agora, e com a entrada no mês de Setembro de quatro novos Guarda Rios, que vão ficar afectos à bacia do Tejo, onde se insere o rio Sorraia como seu afluente, irá passar a existir uma monitorização muito maior de todo o rio, e estas situações poderão vir a ser detectadas com maior antecedência, e ter um ataque ainda rápido e eficiente, anunciou ainda João Matos Fernandes, que reforçou a ideia, que de um ataque químico à praga de jacintos de água está fora de questão, tendo ainda assim a última palavra o grupo liderado pelo Instituto Superior de Agronomia que irá estudar a melhor forma de erradicar esta praga.