Profissionais da Saúde, Socorro e Segurança unem-se para agradecer à população pedindo-lhe que fique em casa (Com Vídeo e Fotos)

20 Março 2020, 12:46 Não Por João Dinis

Um grupo de profissionais das áreas da saúde, socorro, segurança e protecção civil, a que se juntaram autarcas e elementos de apoio a cada uma das actividades, reuniram-se esta quinta-feira, nas imediações do Centro de Saúde de Coruche, para com a devida margem de segurança, enviar uma mensagem de agradecimento à população que nos últimos dias tem demonstrado todo o seu carinho e agradecimento para com o trabalho desenvolvido no combate à pandemia do Covid-19.

Uma das promotoras da iniciativa foi a Doutora Mileta Gomes, que nos referiu que, “nós como USF Vale do Sorraia do Centro de Saúde de Coruche, tomamos como iniciativa e em modo de agradecimento à nossa população e também a todos que a nível nacional se têm manifestado e a agradecer-nos, nesta nossa missão e por isso hoje viemos aqui, juntar-nos e agradecer”, salientado que a demonstração de carinho foi feita, “a uma distância de segurança, nós todos que estamos a trabalhar nesta casa, estamos também a agradecer e a dizer à população que estamos presentes para eles, num sitio onde há vários casos de Covid-19, a nossa intenção é dizer, estamos aqui, convosco, para vocês.

Foi neste sentido que saímos da nossa unidade, juntamente com o Senhor Presidente da Câmara, Presidente da Junta, o nosso Director executivo do ACES, a GNR, Bombeiros, Protecção Civil, viemos aqui de algum modo dizer, estamos cá, estamos para vocês”, concluiu a dinamizadora da iniciativa, que juntou cerca de trinta profissionais das áreas da saúde, socorro e segurança.

“…as pessoas agora não se podem esquecer que estão a ser mandadas para o “sofá” para viverem e para não matarem outros…”, afirma Dr. Carlos Ceia, Coordenador da USF do Vale do Sorraia

O Dr. Carlos Ceia, Coordenador da Unidade de Saúde Familiar (USF) do Vale do Sorraia esclareceu-nos que apesar de todas as restrições impostas, esta manifestação cumprindo as todas as regras de segurança, “teve fundamentalmente dois objectivos e uma conclusão, o principal objectivo será agradecer a todas as pessoas que aqui há uns dias agradeceram de uma maneira simbólica também a todos os profissionais de saúde e a todos os profissionais que estão envolvidos nesta luta”, salientando que o principal objectivo desta carinhosa manifestação de agradecimento foi, “dizer às pessoas é que estamos aqui, podem contar connosco porque sabemos que somos o vosso suporte e nunca vos desapontaremos!”

Queria fazer nota de uma coisa que ouvi, e que é importante as pessoas terem noção, eu lembro-me do meu pai e do meu avô dizerem que os mandavam para a guerra, ou para matar, ou para serem mortos, as pessoas agora não se podem esquecer que estão a ser mandadas para o “sofá” para viverem e para não matarem outros”, realça o coordenador da unidade de saúde de Coruche, que continua, “isto é uma coisa que às vezes temos que reflectir, vai-nos custar, mas estamos a ir para o sofá, estamos a resguardar e estamos a proteger o próximo”, sendo que esta era a mensagem que os profissionais da saúde, segurança e socorro queriam também passar, “com esta pequena manifestação de agradecimento e de tranquilidade para a população que servimos.”

Sobre o funcionamento do Centro de Saúde de Coruche e das mais diversas valências que esta possui, Carlos Ceia confirma que esta está a funcionar normalmente, “como sempre funcionou, a única coisa que desprogramou foram consultas de vigilância, que não são propriamente de doença e o que queremos agora é não concentrar as pessoas todas, é afastá-las, não faz sentido fazer essas consultas de vigilância em proximidade, estamos a fazê-las através de telemóvel, e já toda a gente tem cinco números, mais o mail da USF, e vai ser respondido todo e qualquer problema ou questão pelos médicos que atendem esses telefonemas.”

Questionado sobre a preparação da Unidade de Saúde de Coruche para receber doentes infectados por Covid-19, bem como quando se dará o pico da doença em Portugal, o Dr. Carlos Ceia reforçou a ideia de que é necessário que o importante é que todos se protejam, “não faço ideia, toda a gente diz que o pico chegará no final de Abril, eu não sei se chega no fim de Abril, no principio de Maio, se a meio de Abril, esperemos que chegue o mais rapidamente possível, desde que estejamos todos protegidos, porque se não estivermos então que o pico demore tempo a chegar, agora quanto estivermos todos protegidos o pico pode vir, pois nessa altura já será a fase de descompressão e já temos todos dentro dos nossos cuidados…

“…Acredito que o facto de termos tido um dos primeiros casos no concelho de Coruche, nos levou a adoptar medidas cautelares e de prevenção…”, refere Francisco Oliveira, Presidente da Câmara de Coruche

Presente também na manifestação de solidariedade dos agentes de saúde, segurança e socorro de Coruche, esteve o Presidente do Município de Coruche, Francisco Oliveira, que questionado se o facto de Coruche ter tido dos primeiros casos positivos de Covid-19, teria agora melhor preparada a população, este referiu-nos que, “não quero crer que tenhamos sido submetidos a este exercício de sermos os primeiros para melhor nos prepararmos, quero crer sim que o facto de termos tido um dos primeiros casos no concelho de Coruche, nos levou a adoptar medidas cautelares e de prevenção naquilo que tem a ver com as medidas para fazer face a esta contingência e a esta pandemia”, referindo que, “esse alerta começou em Coruche muito mais cedo que em outros sítios e permite-nos ao dia de hoje, e daquilo que se sabe, nós não termos evolução do número de casos, e estou a falar de números oficiais, daqueles que são transmitidos por parte das entidades oficiais, e portanto de certa forma não serve de conforto, porque sabemos que de acordo com aquilo que são os cálculos oficiais, o crescimento do número vai-se acentuar na próxima semana, ainda assim há data de hoje dizer que as coisas estão estabilizadas no concelho de Coruche.”

Francisco Oliveira pretendeu ainda deixar uma palavra de “conforto e a solidariedade a todos, mas que é preciso de facto todos estamos embutidos deste espírito e estarmos juntos e cumprimos com aquilo que são as obrigações e as regras e portanto chegou o momento de abraçarmos este desidrato maior que é cumprimos com as regras, aqueles que têm que estar em casa, estão em casa, aqueles que têm que trabalhar obviamente trabalhar para que todos possamos desenvolver a nossa vida em sociedade…”

Sobre a manifestação de afecto das forças da Protecção Civil de Coruche, o Presidente da Câmara Municipal referiu que houve um entendimento das forças de segurança, saúde e socorro, aqueles que em Coruche são a primeira linha de combate ao vírus, os médicos, enfermeiros, auxiliares, que trabalham no Centro de Saúde de Coruche como, “um manifesto e uma saudação àqueles que saudaram os profissionais de saúde na sua acção e para dizer fundamentalmente estamos aqui, estamos juntos e precisamos do vosso apoio e da vossa ajuda. Do apoio e da ajuda no sentido de cumprirem as directivas por parte da Direcção Geral de Saúde, aquilo que são as directivas por parte das organizações oficiais, para que possamos de facto sair incólumes desta situação que é o Coronavírus.”

Questionado sobre o impacto económico esperado, Francisco Oliveira começou por referir que “o Estado de Emergência que foi decretado pelo Senhor Presidente da República e que o Senhor Primeiro Ministro já comunicou aquilo que eram as medidas no âmbito deste estado de emergência vem com toda a certeza condicionar muitas das acções, quer dos cidadãos, quer das empresas, quer de todos nós e portanto isso vai claramente condicionar a actividade económica do pais de uma forma geral, e isso vai-se sentir, sente-se hoje, mas vai-se sentir mais no futuro, aquilo que são estas medidas de constrangimento à circulação, ao consumo, e portanto vai-se reflectir no emprego, na capacidade económica das empresas, nas famílias, vai ter um reflexo muito grande”, deixando um alerta que, ”todos temos que estar preparados para ser solidários e encontrar, as entidades oficiais, quer o Governo, quer o municípios, medidas que possam também auxiliar os cidadãos, auxiliar as famílias, auxiliar o comércio para que possamos todos recuperar disto que nos bateu à porta que não sabemos quando é que termina”, concluindo com uma mensagem de união, “sabemos que chegou, não sabemos quando é que sai e é exactamente por essa circunstância temos que ser resilientes, capazes de estar unidos e juntos nesta dura batalha contra um inimigo invisível e que luta com armas que nós não temos condições de combater de igual modo.”